terça-feira, 8 de dezembro de 2009

II Mostra de Teatro Umberto Magnani

Acontece do dia 9 ao dia 20 de dezembro a II MOSTRA DE TEATRO UMBERTO MAGNANI, produzida pelo Instituto Cultural Tecelagem da Arte e apoio da Fundação Cultural de Jacareí.

Serão 15 espetáculos, 1 oficina de Palhaço/Melodrama e uma noite de autógrafos com Umberto Magnani. Grupos de Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, São José dos Campos e Jacareí.
Ingresso: R$12,00inteira/R$6,00meia
(Todos os alunos das oficinas do projeto Tecendo Arte que estejam cursando REGULARMENTE terão direito à meia entrada)
Locais:
Espaço Tecelagem - Sala Cênica Umberto Magnani: 80 lugares
Pátio dos Trilhos (palco de natal)
Informações: 3958.4959 / 9739.3161
Multiplique a cultura.

Sol do meio dia

There's nothing tragic about being fifty. Not unless you're trying to be twenty-five.

A juventude chega rapidamente e acaba quando não se quer. É a ambição de todas as idades, os novos pois são encantados com a liberdade dessa época, e os velhos com a ambição de voltar a ser o que já foram, ou ainda, o que poderiam ter sido.
Essa época da vida é marcada pelas novas experiências e dessa vez não mais como uma criança, que descobre através de seus tutores o essencial, mas agora sozinho, descobrindo não apenas o essencial mas também o descartável, supérfulo.
É através dessas novas experiências que o jovem constrói a base de seu caráter, de suas atitudes, encontra o certo e errado, mesmo que no dia seguinte reveja seus pensamentos e agora o mais terrível de ontem pode ser o correto. Uma fase de metamorfoses.
Descobrir o novo é talvez a única coisa que realmente faça sentido e nos guie na vida, por isso ser jovem é viver com intensidade.
Na evolução do mercado, com novos bens de consumo a cada momento, o adulto e até mesmo as crianças encontraram uma forma artificial de ser jovem, ambos utilizando desse artifício para se vestir e portar como tal, falsificando o prazer das novas experiências através do não natural.
É fácil perceber isso reparando numa pequena garota que coloca os sapatos da mãe, usa bolsa ou ainda nas novas gerações que já tem celular aos dez anos, ou antes. Não ficando para trás temos os mais velhos, fazendo cirurgias plásticas para se parecerem jovem.
O que ninguém quer enxergar é que o jovem vai além, ele tem todo um legado de conhecimentos adquiridos e coisas a se descobrir. Ninguém além dele acumula tanta expectativa para com as realizações do mundo. É a hora e a vez que o velho já teve e que a criança ainda terá e nada mas o tempo pode mudar isso.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Penseiro esperando o trem

Quando resolvi criar esse blog, não sabia ao certo sobre o que falaria, o título que poria, e se vos agradaria. Lembro de pedir ajuda aos amigos, sugestões, imposições, alguém prepara tudo pra mim que eu só quero chegar! Teve uma conversa específica, a qual quero citar; Estava conversando com o comparsa Thiago Lins e falei algo sobre querer ser como Guimarães. Ele riu, eu me conformei, esqueci.

Quis ser como muitas pessoas nesse meio tempo, inclusive como eu mesma. Uma dessas pessoas foi Chico Buarque. Estava completamente encantada pelo homem. Foi nesse encanto que li o seguinte trecho sobre Pedro Pedreiro:

Teve uma época que eu só lia Guimarães Rosa. Eu queria ser Guimarães Rosa. [...] Quando gravei minha primeira música – hoje eu me envergonho um pouquinho disso, porque é difícil você querer ser Guimarães Rosa –, inventei esse “penseiro”, é claro que pra fazer uma rima, uma aliteração [...] mas era aquela coisa de achar que pareceria Guimarães Rosa. Parece nada.¹

Já quis ser Guimarães Rosa, já quis ser Chico Buarque, já quis ser como o Chico que quis ser como Guimarães. E eu fico penseira, imaginando se este já quis ser outra pessoa.


¹ Trecho retirado do livro Histórias de canções: Chico Buarque.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Through the Eye of a Muse

Somewhere in her smile she knows
That I don't need no other lover

Something
era pra mim uma daquelas músicas que a gente gosta mas não sabe ao certo de quem é, como é a letra, a história por trás. Era especial, mas ainda flutuava em minhas mãos.
Era conhecida, a letra mais linda. Tudo que eu gostaria de ouvir, uma canção que me fizesse sentir única, como se nenhuma outra mulher existisse. E vindo do Beatle George, que poderia ter quem quisesse em meio a tantas tietes, tornava o sentimento mais real. Bom, eu não sabia que a composição era dele, dessa parte eu só fui tomar conhecimento quando a ouvi na trilha sonora de algum filme que me escapa agora e, cansada do mistério sobre a música, fui atrás da bendita. Encontrei, era Something, e tinha que ser dos Beatles.
Ela tem aquele começo que cheira à naftalina, logo vem a bateria e uma melodia deliciosa, um solo de guitarra dos mais tocantes que só mesmo George Harrison/Eric Clapton apaixonados para fazer. Ou melhor, só mesmo uma mulher para inspirar algo do tipo: Pattie Boyd, a musa de ambos.
Something foi o começo de um currículo de invejar qualquer uma. Na lista consta além dela, Layla, Wonderful Tonight, For You Blue e Bell Bottom Blues – Todas grandes canções dedicadas a uma única mulher. Dentre os vários boatos sobre a música, gosto de um em especial. Sigo com a história e não me comprometo com os fatos.
Década de 60, pra ser específica, era 1964. As gravações de A Hard Day’s Night seguiam no ritmo da Beatlemania, as gravações duraram menos de dois meses e o filme já estava em cartaz no mês seguinte. Tempo suficiente para Pattie e George se conhecerem.
Boyd estava escalada no elenco do filme como uma colegial e, na época, estava quase noiva. Mesmo assim, Harrison fez a inevitável tentativa de sair com a moça, que recusou. Ele voltou a convidá-la e na segunda vez ela aceitou – já solteira. Bom, era óbvio o que ia acontecer.
Em dezembro de 1965, George pede Pattie em casamento, após Brian Epstern ter permitido, abençoado o matrimonio e concedido a mão da moça, que nem era sua filha (ele justificou que pediu a permissão pois não queria atrapalhar os projetos da banda). Os dois se casam em janeiro de 1966. Três anos depois surge Something, atribuída a Pattie Boyd e considerada por Frank Sinatra, na época, a melhor canção de amor escrita em 50 anos.
Ela é a melhor pra mim. Apesar de gostar da história, não me importa se foi ou não inspirada em Pattie. Prefiro até que seja só minha.

Ouça Something

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Menina

Das risadas mais gostosas
Entre amigas confidentes
Das tardes ensolaradas
Das fofocas bem contadas
Do quase beijo inocente

Na lembrança fica
Aquela última despedida
De maneira reforçada
Até um pouco engraçada
E a saudade em contrapartida

Para Marcela

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Das palavras

Essas letras combinadas sempre me chamaram a atenção. Tem palavras que soam erradas, algumas parecem vindas de outra língua. Lembro-me do sofrimento que foi quando era criança e tive que aceitar cérebro ao invés de célebro, que sempre foi tão sensato e natural, menos racional. Teve ainda algumas das quais a origem é duvidosa, “ponto A” sempre me estica um biquinho à francesa – e as aulas de geometria traziam esse glamour. E acho um absurdo falar muito e não poder expressar que delícia é falar muinto! Agora, inaceitável mesmo foi, com quase duas décadas de aprendizado, descobrir o mundo do entretenimento e deixar o entreterimento. Renasci.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Gulag Orkestar


Beirut. O último presente mais legal que ganhei de alguém, de alguém que nem conheço mas entende bem sobre o que quero ouvir. Zach Condon.

É como uma mistura de todos os lugares que já vi em pensamento, mas que nunca fui. Me dá sentimentos familiares, mas que das origens desconheço. Está tudo ali, junto, saindo de um trompete e de um ukulele e hoje, e finalmente hoje, vou conferir de pertinho, me ensurdecer de felicidade.